Assertividade discutida – II

Assertividade discutida – II

Em complementação ao artigo anterior, levanto aqui algumas considerações a respeito de trechos referidos no mesmo, visto que, como anteriormente havia considerado, é impossível se esgotar um assunto como assertividade em artigos pequenos, dada a complexidade que é o ser humano para o qual sugerimos tal atitude.

Os artigos se dispõem a dividir as características do comportamento como assertivas, agressivas e passivas: vamos aqui, tentar discutir tal afirmação.

Primeiro gostaria de me referir mais uma vez ao fato de que os teóricos que formulam tais definições estão de alguma forma, preocupados em organizar, sistematizar os conceitos para melhor entendimento dos mesmos.

A aplicação, melhor, a parte de praticar tais conceitos, requer um pouco mais de parcimônia do que querem as pessoas de forma geral.

Comecemos por esclarecer que assertividade é definida em função de um sujeito em relação a outros.

Talvez seja hora de tentar o conceito do sujeito com relação a ele mesmo.

Quando analisamos itens como agressividade e passividade, estamos nos referindo a que?

Estamos nos referindo a conceitos sociais, regras internas, conceitos morais, ou…?

E aqui cabe uma infinidade de outros itens.

Qualquer um que vive em sociedade, isto é, praticamente todos nós, já entendeu onde quero chegar.

Se ainda não, explico melhor: Se fôssemos pessoas iguais em todos os sentidos, se tivéssemos o mesmo modo de pensar, de falar de comportar, ainda assim, teríamos problemas em definir o que o outro sente, pois sabemos a dificuldade que temos de identificar muitas vezes os nossos próprios sentimentos.

Isso porque, dada minha experiência em clínica, percebo o quanto o cliente sofre para identificar seus sentimentos e emoções, pensamentos e percepções.

Pior ainda, quando a identificação disso está ligada a um mal estar, a algo que o cliente quer deixar de sentir.

Nisso está envolvido toda uma gama de vivências, as quais quase nunca têm acesso.

Sei que as várias abordagens terapêuticas podem partir de pontos diferentes desse que estou sugerindo.

No entanto, ainda estou me reportando ao fato da assertividade ser um tema discutido por pessoas que simplificam o processo em seus artigos, colocando a sua consecução como se fosse uma receita que, se repetida, culmina em êxito.

E ainda estou me referindo ao fato de, em vários artigos, a complementação: “sem ferir o sentimento do outro” tem sido acrescentado com a maior falta de cerimônia.

A minha primeira suposição foi a de SE fôssemos todos iguais. Sabemos que não somos.

Temos diferenças físicas (aparência, estatura, sexo, idade, etc.), diferenças emocionais, diferenças de percepção, diferença de cultura, diferença de conhecimento, diferença de moralidade, diferença de caráter, e… Me perderia em linhas e linhas aqui se me dispusesse a citar algumas mais, mas acho que você já entendeu meu ponto.

Aceitando o fato de não sermos iguais, temos que aceitar que NÂO saberemos identificar se estamos sendo passivos agressivos ou assertivos, segundo os conceitos sugeridos: “não ferir o outro”.

Algumas diretrizes podem ser dadas, para que tentemos nos comportar civilizadamente diante de outros:

1. Antes de qualquer coisa, pense com bastante empenho, se realmente você não pode resolver a questão sem envolver o outro. Muitos problemas que nós atribuímos ao outro a possibilidade de resolução, grande parte das vezes está em nossas mãos.

2. Outra possibilidade é usarmos aquela famosa frase como referência: “Não faça aos outros, o que não quer para si”. Dá alguma referência, mas também é algo meio etéreo, se considerarmos uma relação de pai e filho, por exemplo, onde um tabefe no traseiro resolveria uma questão, mas o pai nunca gostaria de tomar uns tabefes do filho, não esquecendo também que o status de cada um quanto à responsabilidade é completamente diferente.

3. Pense naquilo que quer falar, em primeiro lugar de forma objetiva, sem rodeios. O que mais dificulta uma comunicação é o sujeito começar contando uma coisa a partir “da morte da bezerra”. Além do que, é muito comum pessoas que falam dessa maneira, se perderem no emaranhado de pensamentos que elas produzem. De repente, elas se dão conta que não sabem mais o que estão falando ou porque estão falando.

4. Em geral, o sujeito acima citado, está exatamente “com medo de ferir o sentimento alheio” e se perde em rodeios. Portanto, perca o medo de ferir o sentimento alheio, conscientizando-se de que infelizmente você não tem o poder de saber quando vai ou não fazê-lo.

5. Depois das fases acima, tente falar o que você quer que aconteça a partir do que você pensa, e espere que o outro reaja. Essa reação pode ou não vir na direção do que você queria ou gostaria. Conseguiu seu intento? Ótimo!! Não conseguiu?…

6. Nesse passo, você pode rever o modo como falou acima. Você foi muito suave? Você não foi direto? Você foi claro? Você ainda acredita que tem controle sobre o sentimento alheio??

7. Esgotadas as tentativas, tente voltar para si mesmo e perguntar-se porque seu querer não é significativo para você? Porque você quer que o outro o respeite se você mesmo não o faz? Porque ser honesto, entra em conflito com o que se chama de agressividade?

Outras perguntas, deixo para outros artigos.

Você pode descobrir milhares delas, que te levarão a conhecer um pouco mais de si mesmo.

Em suma, todos os conceitos propostos tais como agressividade, assertividade, passividade, da forma como tem sido proposto seu uso, são formas prontas na cabeça de cada um.

Não há como você descobrir como o outro vai reagir à sua colocação. Ela só vai ser classificada a partir da reação do outro, e ela pode ser qualquer coisa.

Você só vai saber em qual categoria seu comportamento se insere depois da reação do outro.

Viver dessa forma é tentar viver a vida do outro em detrimento da sua.

Iná Poggetti

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