O gerundismo do ponto de vista emocional.

O  gerundismo do ponto de vista emocional.

Andei lendo material a respeito do gerundismo e me perguntando o que ele teria a ver com o incômodo que muitas pessoas (inclusive eu) sentem em ouvir outros fazendo uso do mesmo.

Perguntei também a mim da mesma forma, o que me incomodava em “vou estar anotando seu pedido” “ou vou estar passando o seu recado” etc.

Juntando as leituras que fiz de pessoas especializadas, com minha especialização, que é psicologia, formei algumas ideias que compartilho agora com você.

A primeira impressão que tenho, sem sombra de dúvida é que é feio!! Outra impressão é que é afetado!!

Usando o local mais apontado como emissor de tal expressão, o telemarketing, penso o seguinte:

Você está, muitas vezes, ocupado quando o telefone toca. Você atende, pois pode ser algum serviço, algum cliente, algum filho que você sabe que não está na cidade, enfim, você atende, pois pode ser algo que precise de sua interferência, ação, etc. Afinal, é uma das finalidades do telefone.

Do outro lado uma pessoa, com intenções de “cumprir uma meta”, “ganhar o bônus”, sob pressão das imposições as quais ela se submete começa uma fala….

Você já se aborrece, pois sabe que aquilo vai interromper o que está fazendo, vai levar tempo se não tiver coragem de desligar o telefone antes da ladainha habitual.

A fala do outro lado é claramente mentirosa.

“Devido ao seu bom relacionamento no comércio da cidade….”

Só de imaginar que somos tantos milhões de habitantes, imaginem que tipo de esquema monumental e escalafobético teria que ser montado para se fazerem essa pesquisa…. “o seu bom relacionamento comercial”…. tá, tá, tá…, vamos supor que uma empresa coloque seus computadores a fazer tal pesquisa.

Agora imagine onde esses dados são coletados.

Dados oficiais são privados, pelo menos até onde eu sei. Não esta-riam acessíveis. Dados do SERASA? Só não encontrar você lá já é indicativo de “bom relacionamento comercial”?

Enfim, no meu entender, a primeira mentira está contada.

A “mocinha” ou “mocinho” disparam num discurso ensaiado, sem possibilidade de interrupção a menos que você seja grosseiro.

Se você é atento ao seu sentir já pode ir notando um início de “mal estar”.

Então vem que “Devido ao seu bom relacionamento na cidade, o cartão tal, vai estar mandando um novo crédito….”

Interessante a frase….

“Devido ao seu bom relacionamento….” já falamos.

“ …o cartão tal…” Cartão não manda nada pra ninguém. Pessoas fazem isso… mas na voz desse pessoal espera-se que ele adquira vida e pratique ações.

E a catástrofe continua… “vai estar mandando…”

Acho que começo a entender um pouco do meu  desespero ao notar que o telefonema é de alguma procedência desse tipo.

Uma mentira, acompanhada de uma fantasia, acompanhada de acréscimo de impessoalidade, como se já não tenha tido o suficiente.

Os orientadores desse pessoal não percebem que soltaram  a pior das desgraças que poderiam, montando frases com esse conteúdo.

Já somos, pela cultura, inclinados a não assumir responsabilidade pelo que fazemos. Agora achamos um termo supostamente “polido” como querem alguns entendidos, para nos livrarmos ainda mais de qualquer que seja a nossa posição.

Fora o paradoxo que se sente ao ouvirmos proferidas tais frases.

Eu sinto assim: uma pessoa falando comigo em tempo real, mas com um lag (que pode ser infinito, pois a ação pode ocorrer nunca)

Outro exemplo legal é quando você fala ao microfone e ele atrasa  a saída do som, e você fala, mas só escuta sua voz algum tempo depois. E você fica normalmente perdido, pois nunca sabe quando é que pode começar a próxima frase, porque já não sabe se o que você falou já foi escutado, ou ainda está em curso.

Parece que se reúne, num só momento, montes de paradoxos, mentiras, impessoalidades  que confirmam que existe um mundo paralelo o qual desconhecemos, na maior parte do tempo alheios, mas nesse momento somos forçados a “entendê-lo”  para  conseguirmos tomar alguma atitude a respeito.

Sinceramente, para mim é muita exigência ao mesmo tempo. Os meus poucos neurônios estressam num piscar de olhos.

Iná Poggetti

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